sábado, 28 de fevereiro de 2015

Benfica e Anti-Benfica: A Liga Record como pano de fundo da dicotomia clubística


Estudo da UEFA (notícia aqui e ranking aqui) diz que o S.L. Benfica (aka o Grande) é o clube europeu com mais adeptos no seu país, com uma percentagem perto dos 47%.
Que tamanha falsidade. Em Portugal todos sabemos que só existem dois clubes, sendo que um deles é o S.L. Benfica (aka o Enorme). É óbvio que o maior clube é o outro, aquele que tem 53% de adeptos de Portugal.

Como tal, todos nós sabemos que só existem dois grupos de adeptos em Portugal: Os Benfiquistas, afectos desse clube de eleição que dá pelo nome S.L. Benfica (também conhecido e reconhecido como o Glorioso); e os Anti-benfiquistas, adeptos desse clube chamado de "Todos-os-Outros United FC" (também conhecido como os "Outros"). O primeiro é um grande clube grande, o outro é apenas um clube grande.

Este facto é do conhecimento geral e, por norma, simplifica bastante quando se está em amena cavaqueira ou em uma discussão mais "acalorada" sobre futebol. Existe o Benfica e existe os "Outros", e está feito. Como maior clube do país (do mundo, digo eu) somos sempre, mas sempre, o termo de comparação. Nós lidamos bem com isso, os "Outros" é que nem por isso.

Os "Outros", apesar de em maior número,
 sofrem do complexo de inferioridade. 
Mesmo assim, 47% não está nada mal, para quem passou anos e anos enterrado em areia movediça até ao pescoço. Sempre que se conseguia esticar um braço para fora da armadilha, lá surgia algum "amigo da onça" a enfiar-nos um pé na cabeça e, com um dedo balouçando em sinal de negação a dizer: "Nah nah, não podes sair daí", empurrava-nos de volta. Felizmente, esses tempos já são passado e, tal e qual um Indiana Jones com conhecimentos à lá MacGyver, saímos mais fortes e mais conscientes de que, apesar de tudo, o caminho a percorrer continua repleto de armadilhas a superar. Algumas delas bem dentro desses 47%, infelizmente. 

No entanto, o octópode tem braços mais longos que a própria lei. A subjugação da comunicação social ao seu multi-abraço está bem viva e não se recomenda, pelo que essa dimensão que possuímos -e que nunca deixámos de ter-, tem que ser sempre defendida e relembrada.

Por vezes, e a mim acontece, defendo essa grandeza mas acabo por perder o foco e torno-me um bocadinho arrogante. Eu sei eu sei, mas é mais forte do que eu, olhar para a realidade desportiva de cima para baixo. Que hei-de fazer? Não faço por mal, mas é fruto dessa mesma grandeza que possuímos.

O que tem isto a ver com o título do artigo? Isto tudo vem a propósito da minha incursão pela "Liga Record". Os amigos lá me convenceram a uma liguilha saudável, e acabei por me registar (estou em último, by the way). A dada altura é pedido, entre outras coisas, que seja escolhida a nossa equipa de predileção. O menu é o seguinte:


Como facilmente se constata, é um belo pedaço de chatice, com clubes que nem sei bem onde geograficamente ficam (geografia não é seguramente o meu forte). O Benfica perdido no meio de trinta e quatro opções, sendo a última um conveniente "Outro". Outro? Hum... (sons de neurónios a magicar).

Ora eis a minha sugestão:


Duas opções apenas e a realidade clubística em Portugal a ser plenamente mantida. Os adeptos do Glorioso encontram rapidamente a sua escolha e os adeptos do "Todos-os-Outros United FC" escusam de andar a escolher numa longa lista. Quem é amigo quem é?

Situação de Win-Win. Nada precisam de me pagar, Liga Record, esta ofereço eu.

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