quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Bruno de Carvalho à Lá Vale e Azevedo.

Ponto prévio: convém referir que considero os adeptos do Sporting dos melhores que existem. Perto de metade dos meus amigos são desse clube, e se são meus amigos, são excelentes pessoas. Raciocínio lógico.

A sua paixão verificou-se sempre através das suas acções: participativos, seguem o clube pelo país, defendem-no, gostam genuinamente do que, para eles, significa o Sporting.

Tudo isto se passou e passa sabendo que o clube/sad atravessa uma crise profunda, praticamente existencial.

E eis que surge Bruno de Carvalho, com o seu discurso populista de salvador da pátria, a tentar criar união entre as hostes. Tem-no conseguido, mas tem gerado um novo problema: o seguidismo.

Vem isto a propósito da transferência de Marcos Rojo
(pormenores do assunto já muito escalpelizados por essa internet fora). Não sou advogado, e mesmo que fosse não conheço o contrato. Apesar de tudo, apesar de todas as razões invocadas e defendidas por ambas as partes, há algo que tem escapado a quem fala sobre o assunto e que me parece que enfraquece muito a posição do Sporting.

Alegou o Sporting que não queria vender o jogador e que assim comunicou ao fundo Doyen. Acusa o Sporting que houve ingerência, pois fazendo fé nos comunicados trocados entre as partes, existiu, apesar de tudo, uma proposta firme do Manchester United na ordem dos €20M. Puxando o filme à frente, o Sporting denuncia o contrato alegando justa causa (por essa ingerência e por quebra de confidencialidade?) e vende o jogador ao mesmo Manchester United por um valor idêntico.

Pois... é aqui que algo não bate bem. Se o Sporting diz que não quer vender o jogador, se invoca que o fundo Doyen aliciou o jogador e se imiscuiu onde não devia, então como se explica que tenham cancelado o contrato existente, vendendo, acto contínuo, o mesmo jogador ao mesmo clube pelo mesmo valor e idêntica proposta que o tal fundo tinha apresentado dias antes? Vejo aqui uma grande contradição na motivação do Sporting e todos vemos a denúncia do contrato como forma de ficar com um valor que não seria seu de início. Caso contrário, não o teriam vendido. Recordemos que é o próprio Sporting a dizer que não queria vender o jogador e que era interesse não o ter mais no mercado. Verificou-se que era falsa esta premissa.

Para além disso, o populismo de dizer que os €9M irão para o pavilhão, quando se sabe que é esse exato valor que cabe em parte ao fundo Doyen caso lhe seja dada razão na sua reclamação, também soa a forçado e manobra política. É que, por esse valor, será  um belíssimo pavilhão, quem sabe com torneiras em ouro.

Existe uma grande probabilidade de o tiro sair pela culatra e isto sair muito caro, a médio longo prazo.

O tempo o dirá. Hoje, Bruno de Carvalho é o  São Sebastião de Alvalade, conseguindo chutar para canto este assunto com a vinda do Nani.

Veremos se daqui a uns tempos ainda será assim.

Tem a palavra o TAS.
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